Vencedores 2017

Vencedores do 4º Concurso FlinkSampa de Literatura

 

Foi em meio a muita emoção e alegria, que foram premiados durante a tarde do dia 16 de novembro, os estudantes vencedores do ‘4º Concurso FlinkSampa de Literatura 2017’, em parceria com a rede escolar SESI-SP, que conta com quase cem mil alunos em todo o Estado de São Paulo. Foram apresentados trabalhos nas áreas de fotografia, poema, narrativa e música.

O objetivo do concurso é incentivar a construção do pensamento literário e fazer os jovens pesquisarem sobre o homenageado e/ou temas aderentes ao mesmo, como etnia, discriminação, raça etc.

Os vencedores são:

 

Poema

1º Lugar

Escola SESI Presidente Epitácio SP

Aluna: Ana Carolina Souza Gomes 4º ano EF

Categoria: I Poema

Nível: 1º ao 5º ano

Título do trabalho: O horizonte e mais além!

 

O horizonte é mais além!

Vou falar de um artista dos sonhos meus

que nasceu na comunidade Cidade de Deus,

autor de obras que me deixaram de perna bamba

poesia, música especialmente o samba.

Seu primeiro livrama-se Sobre o sol

encantador como um girassol,

Mas a obra mais famosa,´´benzadeus´´!

Foi o livro Cidade de Deus.o ch

Esta obra envolve tráfico de drogas e violência

Da mídia recebeu a maior audiência.

Foi parar no cinema e na televisão,

e teve grande repercussão.

Novos horizontes abriram-se para o autor

Desde roteirista até diretor,

Provando que o sucesso

Não depende da raça ou da cor.

 

2º Lugar

Escola SESI CE397 – Mauá – SP

Aluna: Heloísa Paula

Categoria: I Poema

Nível: 1º ao 5º ano

Título do trabalho: Eu quero a liberdade

 

Eu quero a liberdade

Liberdade para ir e vir

Liberdade para chorar ou sorrir

Liberdade de raça ou cor

Todos tratados com muito amor…

Liberdade de religião

Mesmo que seja diferente do meu irmão

Liberdade de usar a roupa que quiser

Sem essa de roupa de homem ou mulher…

Eu quero liberdade!

 

Música

1º Lugar

Escola SESI CE421 – Campinas II SP

Aluno: Felippe Dantas Apolinário

Categoria: II Música

Nível: 6º ao 9º ano

Título do trabalho: Um deus da cidade

 

2º Lugar

Escola SESI CE156 – São João da Boa Vista – SP

Aluno: Cauã Basilo Paixão

Categoria: II Música

Nível: 6º ao 9º ano

Título do trabalho: Gratidão

 

Narrativa

1º Lugar

Escola SESI CE123 – Sorocaba – SP

Aluna: Giovanna Ferraz

Categoria: III Narrativa

Nível: Ensino Médio

Título do trabalho: Dita

 

DITA

Prende o cabelo, passa a escova, puxa pra espetar. Trança para a cara um pouco mudar, cresce e vê que o seu é diferente, chora e pede para a mãe alisar.

Já estou cansado, ela não me deixa brilhar, aos poucos percebo que minhas forças vão se perdendo. Depois da primeira vez que senti o calor da chapinha, nunca mais deixei de quebrar.

Eu era bonito quando ela me queria liso, mas deixei de ser, quando a pessoa, dona do monte o qual eu habito, não me quis mais assim. Eu sentia o quão bruto era o passar do ferro quente em meus fios e só conseguia pensar, “por que judias tanto assim de mim?”.

Passei a observar e finalmente enxerguei, o liso estava em todo lugar! Na rua, na TV e dentro de casa. Eu consegui a entender e deixei tudo como estava, afinal, o liso é mais bonito, eles disseram…

Até que: era mais um dia comum, eu fora arrumado como de costume e nós já estávamos na correria… Foi inevitável! Como se um imã nos puxasse, eu senti a agitação dos calcanhares, a aceleração do coração e o despertar do cérebro, e como vida. Ele era volumoso, parecia algodão, seus estreitos rolinhos brilhavam e todos os membros que compunham o nosso corpo, literalmente, não tiravam os olhos das negras madeiras.

Olhos curiosos. Foi o suficiente para que tudo mudasse…

O medo era grande e nossa vontade secreta, todos sabiam que seria difícil e que muitos iriam criticar mas no meio da extensa rede nós encontramos a transformação, Cabelos em evolução, cabelos em revolução, cabelos em transição!

Ela pensou por um tempo e depois de muito lutar contra mim e o coração, se deixou levar. Aos poucos, o que era liso deixou de ser. Eu pude sentir a vida voltando e quando e quando ela estava pronta, passou a tesoura e finalmente me libertou da ditadura que eu vivia a anos.

Solta o cabelo e passa um creme pra não ressecar. Trança pra ele crescer e a cara um pouco mudar. Perceba que o seu é lindo, diferente e alisa só se quiser alisar.

 

2º Lugar

Escola SESI CE099 – Santa Bárbara D´Oeste – SP

Aluna: Beatriz Roberto Franco

Categoria: III Narrativa

Nível: Ensino Médio

Título do trabalho: A inevitabilidade do inevitável é evitável?

 

A inevitabilidade do inevitável é evitável?

Eu fazia pesquisas sobre a Cracolândia para um trabalho de sociologia quando, ao ler uma notícia algo chamou- me a atenção. Diziam que um dos atores do filme “Cidade de Deus”, havia sido encontrado na Cracolândia em sumo estado de degradação humana. Minha primeira reação à situação foi pensar que o destino do ator tinha sido similar ao de sua personagem no filme, mesmo que eu não soubesse qual havia sido seu papel, uma vez que havia sido realmente morador da Cidade de Deus, indiscriminadamente a sina do homem afinal parecia-me inevitável. A aparente inevitabilidade daquela situação deixou-me inquieta, e o fato de que eu havia chegado a uma conclusão precipitada e parcial sobre o rapaz incomodou-me. Terminei o texto em que trabalhava e sai da biblioteca escolar. No caminho de casa continuei pensando sobre qual papel teria tido a sociedade no destino do jovem, resolvi então parar na padaria e tomar um café (parece quase uma mentira, mas café é realmente a bebida da reflexão filosófica). Sentei-me, pedi meu pingado e perguntei-me se a oportunidade que aquele jovem ex-ator tivera havia sido desperdiçada por ele, ou se o estereótipo de favelado o perseguia e o impedia de obter sucesso em qualquer empreendimento que fazia. Muito provavelmente sua situação pode ter sido uma mistura das duas coisas, mas enquanto a dose de cafeína do meu primeiro gole começou a fazer efeito, percebi que a condição de marginalização de um negro da favela sempre nos parece evitável, como se este pudesse ter mudado sua vida se quisesse. No entanto os estereótipos que lhe são impostos pela sociedade o impossibilitam de conseguir uma vida melhor, pois não ganha as oportunidades para tanto. Terminei meu café e paguei a conta. Quando cheguei na minha casa reli a notícia que havia visto na biblioteca e pesquisei mais sobre o filme Cidade de Deus. Descobri que o livro foi baseado no livro homônimo, escrito por Paulo Lins. Descobri que a Cidade de Deus existia e que Paulo Lins tinha sido seu morador. Descobri que Paulo Lins também era negro, e que (por falta de melhor termo) favelado. Este autor teve uma oportunidade, a qual se segurou e com a qual obteve muito prestígio, mas a que custo? Quantos preconceitos tiveram que ser vencidos por ele, quantas portas fechadas e “nãos” ele teve de passar antes de ter sucesso? Em nossa sociedade, Paulo Lins é, infelizmente, a exceção, e não a regra pois, se esta fosse, eu não teria assunto para escrever essa crônica. Algumas coisas são realmente inevitáveis: a força da gravidade, a atração entre polos opostos, o fato de que a raiz quadrada de 4 são 2, e também que as plantas vivem da fotossíntese. Uma pessoa negra que vive na favela estar para sempre condenada à vida que um estereótipo lhe impõe, que desconsidera suas batalhas, amores, tristezas e trabalho pessoais não é algo imutável como uma lei matemática, embora nos pareça uma inevitabilidade. Afinal, a inevitabilidade do inevitável é evitável?

 

Fotografia

1º Lugar

Escola SESI CE370 Tambaú – SP

Aluna: Larissa Fátima Dutra

Categoria: VI Fotografia

Nível: Ensino Médio

Título do trabalho: A menina sem suas tranças

 

2º Lugar

Escola SESI CE110 – Bebedouro – SP

Aluna: Tauane Eduarda Duranti

Categoria: VI Fotografia

Nível: Ensino Médio

Título do trabalho: Sob a Pele

 

 

AFROMINUTO: descobrindo talentos

”Viver diferente é inteligente e “Racismo é proibido” foram as duas frases inspiradoras do trabalho dos alunos do Ensino Fundamental (anos iniciais) da Escola SESI, do Jardim Nova Suíça (CE 005), de Limeira (SP). Os alunos participantes foram Ayla Cristina Pacagnelli, Isabelle Parizotto Baraldi, Kailanny Rodrigues dos Santos, Maria Fernanda da Silva, Monique Uehara Runge, Maria Paula dos Santos Sala e Lívia Lister Silva, sob a coordenação da professora Rosilene Vieira Silveira da Silva.

A premiação foi realizada no dia 16 de novembro na FlinkSampa e os vídeos vencedores você assiste aqui.