Os pseudônimos de Lima Barreto

Após a morte do escritor Lima Barreto algumas obras foram publicadas como Os Bruzundangas (1922), Bagatelas (1923), Clara dos Anjos (1923-1924). Porém, alguns textos já publicados com outros nomes seriam descobertos muito mais tarde.

Em 2016, o pesquisador Felipe Botelho Corrêa descobriu várias obras escritas por Lima Barreto sob pseudônimos. O livro Sátiras e Outras Subversões traz 164 textos que permaneciam inéditos. As crônicas foram publicadas nas revistas Fon-Fon e Careta nas primeiras décadas do século XX. Os nomes J. Caminha, Leitor, Aquele, Amil, Eran, Jonathan e Inácio Costa eram usados pelo escritor. Alguns pseudônimos já avisam sido apontados pelo biógrafo Francisco de Assis Barbosa no livro “A vida de Lima Barreto”, de 1952.

Outra fonte usada por Felipe em sua pesquisa de doutorado foram os manuscritos do escritor mineiro Carlos Drummond de Andrade que começou a escrever um dicionário de sinônimos da literatura brasileira. Os textos, que estão na Fundação Biblioteca Nacional, trazem referências a pseudônimos usados por Lima Barreto.

“Essas revistas eram satíricas, então (o pseudônimo) era uma forma de o autor não responder pelo texto, evitar perseguição política. O que não consegui desvendar foi se era o Lima que escolhia o pseudônimo ou o editor. Tem alguns casos que é claramente ele que escolhe porque são referências à sua trajetória”, afirma Felipe em entrevista ao O Globo.