A mostra de cinema “Realizadoras” que está acontecendo durante a FlinkSampa 2017 e que pretende debater temas importantes sobre questões que envolvem a comunidade negra, apresentou hoje o filme “O Homem Errado” da cineasta Camila de Moraes.

Segundo Camila, seu filme apresenta a história de um jovem negro, inocente, que foi assassinado por policiais, em 1987, pois foi confundido com assaltantes. O caso ocorreu em Porto Alegre e, como normalmente acontece, foi esquecido e ao ser constatado o erro, nada foi feito.

Camila de Moraes, que também é jornalista, filha de militantes do movimento negro e cresceu envolvida por discussões sobre racismo, conta que quis documentar esta história porque o assassinato de jovens negros, desde então, só tem aumentado.

Hoje o Brasil é um dos países nos quais mais jovens negros são assassinados: são 7 homicídios a cada duas horas; 82 por dia; 2.500 por mês e 30.000 por ano. 77% dos jovens assassinados no Brasil são negros.

“Existe um verdadeiro genocídio da juventude negra no mundo e no Brasil, é preciso assumir que o Brasil é sim, um país racista. O assassinato dos jovens negros é, na verdade, o assassinato de toda a sociedade brasileira”, concluiu Camila.

Vale ressaltar que o filme “O homem errado” ganhou recentemente o prêmio de melhor longa-metragem em um festival realizado na cidade de Punta Del Oeste.